Língua de Sinais Americana

Língua de Sinais Americana – Saiba Como Ela Foi Criada

Língua de Sinais Americana. Esta é considerada uma das línguas de sinais mais importantes e conhecidas no mundo, tendo suas origens na Língua de Sinais Francesa.

Para saber todos os detalhes de como ela surgiu e qual importância para a comunidade surda norte-americana e mundial, confira nosso artigo.

Língua de Sinais Americana – O que é?

Língua de Sinais Americana, no inglês American Sign Language, consiste numa língua de sinais usada sobretudo pelos surdos que vivem nos Estados Unidos e no Canadá.

Devido à ampla influência da cultura norte-americana no planeta, essa língua também é adotada em algumas localidades mexicanas e em demais países, que são:

  • Filipinas;
  • Porto Rico;
  • Singapura;
  • República Dominicana;
  • Quênia;
  • Zimbábue;
  • Nigéria;
  • Haiti;
  • Benim;
  • Hong-Kong;
  • República Centro-Africana;
  • Togo;
  • Costa do Marfim;
  • Chade;
  • Burkina Faso;
  • Madagascar;
  • Mauritânia;
  • Gabão.

Em alguns desses países, a Língua de Sinais Americana é empregada de maneira conjunta com as línguas de sinais indígenas ou locais. Portanto, é possível observar variações de acordo com a região.

Como surgiu a Língua de Sinais Americana?

A história da Língua de Sinais Americana, assim como no caso da Língua Brasileira de Sinais – Libras, é fascinante. Ela abrange o trabalho de um grande estudioso da época e aos poucos foi ganhando espaço até se tornar tão conhecida como é atualmente.

Quando tudo começou

Até o início do século XIX, assim como ocorria na maioria dos países, a comunicação para pessoas surdas nos Estados Unidos era quase inexistente, sendo limitada ao uso de alguns sinais no âmbito familiar.

Nesse contexto, podemos afirmar que a Língua de Sinais Americana começou no ano de 1814, quando Thomas Hopkins Gallaudet, depois de ter se encontrado com uma garota surda, decidiu dedicar toda sua vida à criação e desenvolvimento de uma forma de comunicação que proporcionasse um adequado convívio familiar e social para os surdos.

Após empregar diversos testes de aprendizado com essa garota surda, que até aquele momento ficava isolada das outras crianças, Thomas Hopkins Gallaudet resolveu estudar sobre os métodos que eram utilizados em outros países quanto ao ensino de pessoas com deficiência auditiva.

Métodos de outros países

A história da Língua de Sinais Americana começa a ganhar um novo capítulo quando Gallaudet descobriu que a Inglaterra e a França eram os países que mais estavam em evidência com relação aos métodos de ensino para surdos.

Por esse motivo, Gallaudet decidiu viajar para esses países com o objetivo de conhecer todos os detalhes das metodologias utilizadas.

Desde a fase de pesquisas, o grande intuito desse estudioso era construir a primeira escola dos Estados Unidos que seria totalmente voltada para o ensino de pessoas com surdez.

A viagem de Gallaudet começou pela Inglaterra. No entanto, os educadores ingleses colocaram uma série de condições quanto à divulgação do método, tornando inviável a observação e realização dos estudos.

Depois dessa frustração inicial, no ano de 1816 Gallaudet buscou contato com três educadores franceses que já tinham um trabalho renomado no campo do ensino para surdos.

O abade Roch Ambroise Sicard, Jean Massieau e Laurent Clerc foram os educadores que auxiliaram os estudos de Gallaudet, apresentando como funcionava o método de ensino francês.

Depois de um primeiro contato com esses educadores, Gallaudet decidiu passar dois meses em Paris para aprender com esses mestres.

Logo após aprender a língua utilizada pelos surdos franceses e também os métodos de ensino usados na escola, Gallaudet voltou aos Estados Unidos.

Ele foi acompanhado por Laurent Clerc, que ofereceu todo auxílio para a criação da primeira escola americana para surdos.

A escola de Hartford

Em 1817 Gallaudet e Laurent Clerc criaram a American School for the Deaf, a primeira escola para surdos dos Estados Unidos, na cidade de Hartford. A fundação dessa instituição deu início a um novo período para a comunidade surda norte-americana.

Em 1830, outras escolas para surdos já ganhavam diferentes regiões dos Estados Unidos: Nova York, Pensilvânia, Kentucky e Ohio. A partir do trabalho realizado por diversos educadores, tornou-se possível a criação da atual Língua de Sinais Americana.

As informações mencionadas anteriormente demonstram como isso se tornou possível em grande parte devido à Língua de Sinais Francesa e à precisa contribuição dos educadores franceses.

O importante legado de Gallaudet

Além de praticamente ter criado a Língua de Sinais Americana, Gallaudet é até hoje lembrado por ter desenvolvido diversas atividades nas áreas de ensino e escrita.

A maioria de suas obras falam a respeito do surgimento da língua de sinais e educação para pessoas com surdez.

Gallaudet faleceu em 1851. Posteriormente, Edward Miner Gallaudet, um dos seus filhos, decidiu continuar o importante trabalho desenvolvido pelo pai.

No ano de 1857, Edward foi responsável pela criação do primeiro colégio universitário para surdos, que recebeu o nome de Gallaudet School.

Por meio desse colégio foi fundada em Washington a famosa Universidade Gallaudet, que é nos dias atuais a única instituição no planeta a oferecer ensino superior para surdos.

Nessa universidade norte-americana, a língua oficial utilizada é a Língua de Sinais Americana.

Qual a importância da Língua de Sinais Americana?

Língua de Sinais Americana

Nos dias atuais, a Língua de Sinais Americana é usada aproximadamente por 500 mil a 2 milhões de pessoas surdas apenas nos Estados Unidos. Além disso, como já explicado anteriormente, essa língua de sinais é utilizada em várias outras regiões do planeta.

Pelo fato de ter ultrapassado limites geográficos, a Língua de Sinais Americana se transformou numa referência mundial no que diz respeito à comunicação para surdos.

É importante ter claro que na Língua de Sinais Americana, assim como ocorre no caso de outras línguas de sinais, a sintaxe e estrutura gramatical é absolutamente diferente da língua oral.

Ainda que tenham sido obtidos muitos avanços, nos Estados Unidos a comunidade surda também precisa lutar constantemente para que ações inclusivas sejam desenvolvidas nos campos da educação, saúde, mercado de trabalho, lazer, cultura etc.

Pessoas do mundo todo optam por tentar estudar na Universidade Gallaudet como forma de obter melhores oportunidades de educação e trabalho, fatores essenciais na construção de uma sociedade mais inclusiva.

Após saber como surgiu a Língua de Sinais Americana, acompanhe nossos demais conteúdos com temas de alta relevância para a comunidade surda.

Imagens: cantinhodoprofessor.com.br / jw.org

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